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Perfis Conscienciais no Trote Estudantil

Publicado em: 07/09/2009
Autor: Amaral, Flávio
famaral@inbox.com
29 anos, Economista, voluntário da ASSINVÉXIS,
professor da Conscienciologia desde 2003 e de Invexologia desde 2005

Este artigo procura desenvolver análise anatomizada sobre os traços conscienciais manifestados nos rituais de trote estudantil, notadamente universitários.

Trote é a prática, rito de passagem, costume histórico ou tradição social coercitiva, intimidatória, zombeteira, de assédio moral ou violência, aplicado por grupos de alunos veteranos sobre estudantes novatos, motivados em função do ingresso acadêmico, sendo em suas diversas formas, absurdo e indefensável.

O trote é objeto de estudo da Invexologia no que tange ao entendimento do porão consciencial, o lado pior, mais doentio, patológico, sombrio da consciência envolvida, alimentado pela exacerbação biológica, hormonal, do corpo físico ainda inexperiente.

Na obra Homo sapiens reurbanisatus, Vieira apresenta o estudo de 100 perfis imaturos das consciências assim chamadas reurbanizadas, de alto nível de patologia, ainda sem autolucidez básica quanto à própria realidade.¹²

Em cotejo com fatos relativamente bem-conhecidos acerca dos trotes estudantis, é possível identificar, nos praticantes, a presença de, no mínimo, alguns traços negativos existentes em 36 dos 100 perfis de consciências reurbanizadas, exemplificados a seguir:

01.  Alcoólatra.
02.  Anticosmoética.
03.  Antiprofissional. “Troteiros” entre os futuros profissionais responsáveis pelo bem-estar social.
04.  Antissomática.
05.  Arrastante. Bandos investindo contra turma de calouros.
06.  Assediadora.
07.  Atratora de acidentes. (V. Cortella, Mário Sérgio; Trote, uma Brincadeira que pode Acabar muito Mal; Opinião; Março, 1999; páginas 6 e 7.)
08.  Autocorrupta. Sabe que trote é absurdo, não podendo alegar inocência.
09.  Autoenganada. A mentira para autojustificar-se: “brincadeira para integrar os alunos”.
10.  Bárbara. (V. Ramos, Alberto; et al.; Sabatinas de Sadismo; Trotes Universitários; Reportagem; Época; Seção: Sociedade; São Paulo, SP; 01.03.99; páginas 28 a 42.)
11.  Belicista. (V. Aceituno, Jair; Polícia investiga 5 Estudantes por Trote Violento; O Estado de S. Paulo; 19.02.05; página A 17.)
12.  Caçadora. Acuar, cercar, amarrar e até perseguir os calouros em fuga.
13.  Contaminadora. Substâncias poluentes e nocivas aplicadas aos calouros.
14.  Contraventora. (V.  Bartotti, João Natal; Aluna se nega a Pagar a Pedágio e apanha de Colegas; Gazeta do Povo; 14.02.04; página 7.)
15.  Desinformadora. Silêncio estudantil nas investigações policiais, temendo acusação judicial.²
16.  Destruidora de vida. (V.  Jozino; Josmar & Diamante, Fábio; Trote, Brincadeira Brutal que dói e mata; Diário Popular; 25.04.99; página 16.)
17.  Energívora. O deleite com o mal-estar alheio.
18.  Eufemística. Os uníssonos entre faculdade, veteranos e calouros, de que fins trágicos foram “fatalidades”, “acidentes”, aonde ninguém é culpado.²
19.  Excessiva.   (V. O Globo; Redação; Calouro é forçado a se Deitar em Formigueiro; Caderno: 1o Caderno; Rio de Janeiro, RJ; 17.03.05; página 14.)
20.  Falaciosa. O conceito ambíguo de “trote solidário”, não fazendo a ruptura completa com a cultura troteira.
21.  Fronteiriça. A “brincadeira” sempre buscando ir até o limite.
22.  Imatura. Descaso e desconhecimento quanto a saúde e segurança.
23.  Impune. As liminares judiciais indeferindo sentenças penais.
24.  Intoxicadora. A obrigação de ingestão excessiva de álcool.&sup5;
25.  Ludopata. A “brincadeira de mau gosto”.
26.  Mafiosa. A cumplicidade entre discentes e docentes para perpetuar a tradição.
27.  Manipuladora. A lavagem cerebral cultural de calouros, desejando passar pelo trote.
28.  Marginal bifronte. Os médicos monstros, advogados criminosos e a maldade disfarçada e popular.
29.  Mentirosa. O discurso enganador: “ninguém será forçado, tudo será só brincadeira”.
30.  Recrutadora. A mobilização de pessoas para o fim espúrio.
31.  Reptiliana. As atitudes impensadas, irrefletidas, imponderadas.
32.  Sociopata. (V. Montero, Daniel; Asignatura Pendiente: Humillar al Novato; Reportagem; El Mundo; Caderno: Sociedad; Madrid, Espanha; 07.10.01; página 38.)
33.  Torturadora. (V. Rodrigues, Greice; Trote Abusivo; Instituto de Aeronáutica & Torturas; IstoÉ; Seção: Educação & Cidadania; São Paulo, SP; 11.02.04; página 56.)
34.  Toureira. Tourada: trote bovino.
35.  Vandálica. Sujeira dos ambientes, poluição visual e sonora.
36.  Vulgar. Demonstração de falta de elaboração mental complexa ou racional.

Igual análise pode ser aplicada aos 100 perfis de consciências belicistas (afeitas à guerra e ao antipacifismo), propostos por Vieira em livro posterior, Homo sapiens pacificus.¹¹ Neste caso, pode o leitor facilmente encontrar a presença, por exemplo, de 23 traços negativos, listados a seguir, além dos supracitados com relação direta ao belicismo:

01.  Acobertadora. Operações de “abafa” sobre os abusos cometidos.
02.  Acrítica. Deseducação admitida em instituições de educação.
03.  Adolescente. As infantilidades constantes para a passagem à vida adulta.
04.  Aliada. Calouros tornam-se futuros aliados aos veteranos.
05.  Atacante. As boas-vindas através da violência.
06.  Atratora. A criação de contextos favoráveis aos ensejos infelizes.
07.  Atroz. A estupidez gratuita da elite intelectual.
08.  Bárbara. O ato rude, grotesco, primitivo.
09.  Censora. As retaliações a quem denuncia os maus tratos.
10.  Covarde. Vários contra 1 indefeso.
11.  Grupal. O ritual sempre coletivo.
12.  Imoral. Injustificada.
13.  Inautêntica. Desinformadora, eufemística, falaciosa, mentirosa.
14.  Intermissiva. Quando consciência reurbanizada atentando contra intermissivista.*
15.  Paradoxal. O aluno mais adiantado dando os piores exemplos.
16.  Paroxística. Ora colega de curso, ora algoz de humilhação.
17.  Poderosa. O abuso de poder de quem se encontra mais adaptado.
18.  Psicotorturadora. O assédio psicológico.
19.  Regressiva. Favorável à continuidade das tradições arcaicas.
20.  Social. A manutenção da aceitação social do trote.
21.  Trágica. O 1o dia de aula transformado em último.
22.  Violenta. Excesso de força física.
23.  Veterana. O uso da condição veterana para articular os atos maldosos.

Leitor ou leitora, o que você conclui sobre os trotes universitários?

*Intermissivista: em tese, a consciência que aplicou-se em estudos preliminares anteriores ao renascimento para poder planejar previamente os detalhes e melhor aproveitar a atual vida física, de maneira útil e assistencial aos demais.

Bibliografia

01.  Aceituno, Jair; Polícia investiga 5 Estudantes por Trote Violento; O Estado de S. Paulo; Jornal; Diário; 19.02.05; página A 17.
02.  Alcalde, Luisa; Farra Mortal: Estranho Silêncio de Estudantes da USP ronda Trote que terminou em Morte na Piscina; IstoÉ, N. 1.542; 21.04.99; pp. 46 a 50.
03.  Bartotti, João Natal; Aluna se nega a Pagar a Pedágio e apanha de Colegas; Gazeta do Povo; Jornal; Diário; Seção: Paraná; 4 ilus.; 4 enus.; 1 fichário; Curitiba, PR; 14.02.04; página 7.
04.  Cortella, Mário Sérgio; Trote, uma Brincadeira que pode Acabar muito Mal; Opinião; Tablóide; N. 5; PUC-SP; março de 1999; pp. 6 e 7.
05. Gazeta do Povo; Redação; Estudante entra em Coma Alcoólico depois de Trote aplicado pelos Colegas; 14.08.03; p. 18.
06.  Jozino; Josmar & Diamante, Fábio; Trote, Brincadeira Brutal que dói e mata; Diário Popular; Jornal; Diário; 25.04.99; página 16.
07.  Montero, Daniel; Asignatura Pendiente: Humillar al Novato; Reportagem; El Mundo; Tablóide; Diário; Ano XIII; N. 4.329; Caderno: Sociedad; 1 foto; Madrid, Espanha; 07.10.01; página 38.
08.  O Globo; Redação; Calouro é forçado a se Deitar em Formigueiro; Jornal; Diário; Ano LXXX; N. 26.155; Caderno: 1o Caderno; Seção: O País; Rio de Janeiro, RJ; 17.03.05; página 14.
09.  Ramos, Alberto; et al.; Sabatinas de Sadismo (Trotes Universitários); Reportagem; Época; Revista; Semanário; Seção: Sociedade; 2 enus.; 2 fichários; 19 fotos; São Paulo, SP; 01.03.99; páginas 28 a 42.
10.  Rodrigues, Greice; Trote Abusivo (Instituto da Aeronáutica & Torturas); IstoÉ; Revista; Semanário; N. 1.792; Seção: Educação & Cidadania; São Paulo, SP; 11.02.04; página 56.
11.  Vieira, Waldo; Homo sapiens pacificus; 1.584 p.; 413 caps.; 403 abrevs.; 434 enus.; 37 ilus.; 7 índices; 240 sinopses; glos. 241 termos; 9.625 refs.; alf.; geo.; ono.; 29 x 21,5 x 7 cm; enc.; Edição Especial; Associação Internacional do Centro de Altos Estudos da Conscienciologia (CEAEC); & Associação Internacional Editares; Foz do Iguaçu, PR; 2007; páginas 245 a 248.
12.  Idem; Homo sapiens reurbanisatus; 1.584 p.; 479 caps.; 139 abrevs.; 40 ilus.; 7 índices; 102 sinopses; glos. 241 termos; 7.653 refs.; alf.; geo.; ono.; 27 x 21 x 7 cm; enc.; Associação Internacional do Centro de Altos Estudos da Conscienciologia (CEAEC); Foz do Iguaçu; PR; 2003; páginas 95, 504 e 505.

Infografia:

1.  Antihazing (EUA). Website: http://www.anti-hazing.com/; e-mail: doubleblackbelt77@yahoo.com
2.  Antípodas - Movimento Antipraxe (Portugal). Website: http://antipodas.planetaclix.pt/; e-mail: antipodas.map@clix.pt
3.  Antitrote (Brasil). Website: www.antitrote.org
4.  CNBC - Comité National Contre le Bizutage (França). Website: http://contrelebizutage.free.fr/
5.  Hazing Prevention (EUA). Website: http://www.hazingprevention.org/; e-mail: maxwell@hazingprevention.org
6.  SOS Bizutage (França). Website: http://www.sos-bizutage.com/; e-mail: contact@sos-bizutage.com
7.  Stop Hazing (EUA). Website: http://www.stophazing.org/; e-mail: info@stophazing.org

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